A ESCOLA NO CENÁRIO CAPITALISTA
Janne Kleia da Silva
A escola é um construto social que atende aos
critérios do meio, suas exigências e a busca por constante aperfeiçoamento, no
capitalismo estamos vivenciando o que Santos (1994) denominou meio técnico-
cientifico- informacional onde a informação
é a fase atual do sistema
socioeconômico vigente, que fecunda a produção e transformação do espaço
geográfico, estando relacionado, sobretudo, à Terceira Revolução Industrial denominada Revolução Científica Informacional, que
reordena a sociedade em busca do aperfeiçoamento das técnicas e a incorporação
de demandas para as instituições de ensino em qualificar os discentes para
ingressarem no mercado de trabalho.
Mediante
a exploração dos filmes: Tempos modernos de Charles Chaplin, que enfoca a
sociedade dos Estados Unidos nos anos 30, com direcionamento na vida urbana e
ênfase na crise de 1929, momento histórico em que a depressão econômica estava
disseminada na sociedade norte-americana, que conduziu a população ao
desemprego e à fome. O personagem principal do filme é Carlitos funcionário que
sua dinâmica na fábrica simboliza o ritmo da esteira e submissão do homem ao
ritmo imposto pela máquina, e do filme
Germinal que tem como cenário a
sociedade Francesa, com foco na cidade
de Montsou, onde a centralidade das cenas é a partir da dinâmica de uma mineradora, que para garantir suas
sobrevivências os operários da mina incluindo até as crianças eram submetidos a
condições árduas de trabalho, as dicotomias sociais eram gritantes. Nesse
contexto surge Etienne, que une-se aos demais trabalhadores e articulam um
grupo de grevistas, assim descreve as condições de trabalho da classe operária
do século XIX. Podemos perceber que a racionalidade do capitalismo com maior
veemência a partir dos séculos XIX e
XX a perspectiva da lucratividade
perpassava as limitações humanas, ferindo as condições físicas e psicológicas
dentro do parâmetro de produtividade, chegou até a escola a incumbência de “formar”
sujeitos sociais que se adequassem a lógica da produção em escala, que se
enquadrasse nos ditames da esteira fordista e que a ideologia de vida seja o
sucesso profissional e a aquisição de signos para manutenção de uma imagem social
aceitável aos bons olhos do capital.
Dentro
de uma análise conjuntural é notório que a educação é uma ferramenta que atende
ao anseio de um determinado momento histórico, conforme Valente (1999) a
educação é um serviço e, como tal, sofre as influências e se adapta às
concepções paradigmáticas, vigentes na sociedade nos diferentes momentos
históricos. Considerando-se que a educação guarda relações com o contexto em
que se insere, também as transformações nos sistemas de produção repercutem
sobre ela, sendo que os trabalhadores devem desenvolver formas de ação que se
encontrem em consonância com os ditames do estágio em que a economia se
encontra.
Por
sua própria função, a escola constitui-se em uma organização sistêmica aberta,
isto é, em um conjunto de elementos (pessoas, com diferentes papéis, estrutura
de relacionamento, ambiente físico, etc.), que interagem e se influenciam
mutuamente, conjunto esse relacionado, na forma de troca de influências, ao
meio em que se insere (FREIRE, 1980).
Uma
luz para os educadores que desejam uma educação que desenvolva as competências
dos sujeitos para um processo de libertação, encontra-se no filme a sociedade
dos poetas mortos, onde o educador Sr Keating traz presente uma perspectiva
libertária envolvendo sua prática pedagógica com métodos que despertam a
criticidade dos alunos, que a partir de então passar a compreender novas
simbologias do arranjo social.
Existe
um desafio imenso para os educadores que tem o ideário de uma educação libertária,
ficando a critério destes que imaginam uma nova constituição social para além
do capitalismo, incutir o desejo de desenvolver uma prática pedagógica que o
foco seja a emancipação do indivíduo em todas as esferas da vida, seu zelo
pelos princípios da cidadania e na emancipação do indivíduo que deseje para
além do fator financeiro uma postura em favor da solidariedade, da ética e da
justiça.
Referências
FREIRE, P. Conscientização.
São Paulo: Moraes, 1980.
SANTOS, M. Técnica, espaço, tempo: globalização e
meio técnico-científico informacional. São Paulo, Hucitec, 1994.
VALENTE, J. A. O computador na sociedade do conhecimento.
Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.